É preciso cuidado com o que desejamos

No outro dia, depois de meditar – coisa que acabou por trazer até mim este assunto -, apercebi-me que tenho tido na vida tudo o que sempre desejei. Verdade. Tudo.

Sendo verdadeiramente honesta comigo mesmq, ao longo dos anos, foi isto que sempre desejei: um emprego seguro (leia-se aqui efectiva numa empresa), a ganhar o suficiente para me sustentar sem dar trabalhos a ninguém, saúde para todos os meus (sem nunca pensar que eu também precisava) e uma vida familiar tranquila e com amor (mas até aqui à espera que viesse do outro e não tanto de mim).

E foi isto que a vida me deu. Ao longo dos anos quando desejei mudar de emprego, mudei. Se a situação eram os horários, mudei para outro com horários diferentes. Quando a questão era dinheiro, mudei para outro em que ganhava um pouco mais. E por aí fora.

Nós temos um poder incrível para fazer acontecer o que desejamos. Mas muitas vezes não sabemos o que desejar. Isto leva-me a uma conversa com uma querida amiga que faz Coaching, onde concordávamos nisto: é raro tirarmos tempo para nós mesmo quanto mais sentar e pensar ao certo o que realmente queremos para vida. Neste momento.

E eu comprendo agora que sempre fui comedida a desejar e vendo bem as coisas tinha tudo mais ligação em fazer as coisas ‘certas’, em não dar trabalho a ninguém, do que realmente aquilo que desejava. Mas também é certo que não sabia o que desejar. Nunca tinha tirado tempo para me ouvir.

E nós temos todo o direito em desejar. Afinal de contas, a ideia de que viemos a este mundo para sofrer é uma invenção da qual fazemos parte sem nunca questionarmos se de facto assim será. Como se a vida fosse só trabalho, sofrimento, objectivos e pouco mais. Onde até o lazer só tem lugar em tempos intermédios para nos permitir descansar.

A recuperação do surto, com toda a dificuldade que tem sido, deu-me tempo para me sentar e ouvir-me. O facto de a minha doença poder levar-me a um estado em que não me permite andar, falar, escrever ou comer sozinha, obrigou-me a pensar o que realmente eu desejo para mim, agora, que ainda posso andar (mesmo que com dificuldades), falar, escrever, comunicar, estar, sentir, aproveitar e consciente.

Ainda assim, nem sempre é fácil dedicar-me ao que eu desejo. Requer trabalho, mas é possível. E já não me contento só com saúde, paz e amor para todos os meus. É um desafio.

Um desafio com consciência do poder do desejo.

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