Afinal o que é normal?

Há várias coisas que é preciso adaptar depois do diagnóstico, e depende muito de pessoa para pessoa. Dizem-nos que podemos ter uma vida normal. E é verdade, mas não o normal tal como a conhecíamos.

Vejamos, o meu normal até aqui sempre foi trabalhar 9 e 10 horas seguidas em horários pouco recomendados. O meu normal sempre foi dormir 6 horas por dia, levantar cedo para ir ao ginásio, comer uma saladinha ao almoço e vingar-me com um jantar cheio de queijo e vinho.

Agora, quando preciso de comer, preciso mesmo de comer e uma saladinha já não chega. Preciso de hidratos de carbono mas por outro lado tenho de evitar as farinhas processadas e o açucar. Agora, durmo 8 a 10 horas e às 21h já estou ko no sofá. Tenho dores musculares com frequência e tudo o que necessito fazer, quer seja xixi ou beber água, é uma urgência. Agora, tudo é um pouco normal mas diferente.

É fácil imaginar o quanto isto possa alterar a vida famíliar.

Ontem fomos jantar, só os dois. Foi bom, conversámos, comemos, bebemos e caminhámos até casa. Tudo normal. Mas o meu normal mudou. E como já passava muito das 21h, deu-me a urgência. Assim que cheguei a casa, cama. Como se tivesse acabado de fazer uma maratona.

E é nisto que o nosso normal nos prega partidas. Conseguimos ir jantar sim senhora mas o cansaço a seguir é tramado. Conseguimos ir fazer uma aula de yoga, mas a seguir dormimos uma sesta de 3 horas. Conseguimos ir às compras e tratar da cozinha mas a seguir parece que levámos tareia.

Isto é uma parte do normal que me tem custado habituar. A energia não é a mesma. E por vezes, se não muitas, sinto-me em falta com a família por já não ser aquela pessoa com capacidade para fazer tudo.

Mas lá está, sou uma sortuda e quem me rodeia é incrível.

É importante explicar a quem está mais próximo de nós, que esta normalidade tem diferenças. Nomeadamente na energia. E que os tempos de descanso são sagrados exactamente para evitar um surto.

Ter o apoio e o entendimento de quem nos rodeia é muito importante. Exactamente para tornar a nossa vida o mais normal possível. E num instante, o normal torna-se mesmo normal.

Afinal de contas, o que até aqui era normal seria mesmo NORMAL?

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One thought on “Afinal o que é normal?

  1. Fiquei tocada com a expressividade, mas não surpreendida…. sempre intui aí “debaixo da carapaça” esta alma de filigrana…. da mais rica e pura filigrana, que nunca cessa de surpreender quem a admira na sua infinita e singular beleza.
    Um grande abraço,

    Gostar

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