Parabéns a mim

Não teria esta vaidade – acho eu – não fosse ter acontecido nesta fase da minha vida. Parabéns a mim, consegui completar o curso de professora de yoga. Poderia ter sido ‘só’ a concretização de um sonho mas como se deu no ano em que eu por momentos acreditei que não iria fazer grande coisa da minha vida, teve um gosto especial.

Em Junho, quando fui diagnosticada e estava com grandes dificuldades em me mexer, achei que tinha de interromper a formação que tinha iniciado em Janeiro, mas não. Como já disse e reforço, sou uma sortuda.

O surto teve a sua expressão mais acentuada exactamente no fim de semana em que estava a fazer o módulo 6 da formação: um retiro. Já não consegui fazer grande coisa fisicamente mas tudo o resto com grande esforço completei. Nesse Domingo à noite quando cheguei a casa, jantei com a família e por descargo de consciência mandei um email a um médico amigo a dizer que estava com determinados sintomas: desiquilíbrio, dificuldade em falar, a cara dormente e deixava cair as coisas da mão com facilidade. Com um telefonema ele ‘enviou-me’ imediatamente às urgências. Já não voltei a casa nos 6 dias seguintes.

Ao módulo 7, no mês de Julho, não fui mesmo capaz de ir. Ainda não conseguia estar de pé, nem tão pouco acordada o dia todo, ainda tinha desiquilíbrio, não conseguia escrever, etc.. Foi nesse momento que achei que tinha de desistir. E convenci-me disso.

Mas sou uma sortuda, certo? O mês de Agosto era mês de férias e eu ia recuperando cada vez mais. Em Setembro o módulo calhava no último fim de semana, e eu ganhava cada vez mais tempo de recuperação.

Chegada a altura ganhei coragem e fui. Não fiz todo a parte prática mas consegui aproveitar toda a parte teórica. E com algum cansaço fiz o módulo de Setembro e considerei que estava de novo na corrida. Outubro também foi feito com algum esforço e ainda com trabalhos adicionais para recuperar o mês de Julho. E por ai adiante.

Num click era Dezembro e altura de exame teórico, prático e uma demonstração de yoga artístico. E eu fiz tudo. E isto ganhou uma dimensão de importância para mim gigantesca. No ano em que sou diagnosticada com EM e recupero de um surto filho-da-mãe consegui concretizar um sonho de vida.

Mas ainda mais importante do que tudo isto foi compreender ao longo da minha recuperação a importância do Yoga para a recuperação em si. A nível físico e emocional. Tudo ganhou outra vida. O meu sonho de vida mostrou-se mais útil do que eu poderia imaginar. E agora mais do que nunca sou feliz de saber que tenho conhecimentos e ferramentas que podem ajudar os outros. E não há nada mais gratificante do que isto.

Em Junho quando fui diagnosticada cruzei-me com a minha Mestre logo a seguir à consulta (o Universo faz destas coisas) e contei-lhe o que se passava. Disse-me: “agora é viver a vida com o que se tem”. E eu tenho isto.

Obrigada a toda a minha família Yoga, colegas, tias e tios, madrinhas e querida Mestre Beatriz que me ajudaram a ultrapassar a fase pior e que estão sempre lá. Sou muito grata. E obrigada à minha mãe que há um ano me ofereceu um lindo postal de madeira a lembrar-me que eu tinha um sonho que podia tornar-se realidade. Obrigada ao meu gajo que durante um ano inteiro me aturou na ausência dos fins de semana de curso e mais tarde com as minhas dúvidas existênciais e quanto às minhas competências. Obrigada. Obrigada. Obrigada. Sou muito grata.
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