A felicidade dá-nos saúde

Há uma altura em que deixamos de levar a vida na brincadeira para que tudo passe a ser sério. Dizem-nos que isso é crescer. É preciso trabalhar muito e nem sempre é divertido. É preciso correr para dar andamento a todos os afazeres da casa e da família. É preciso preocupar com as contas e com o futuro (ai o futuro) mas, acima de tudo tem de ser sério e… cá nada de brincadeiras.

Será?

Eu hoje penso que sempre levei a vida a sério demais. Não que levar as coisas a sério seja mau, pelo contrário, mas este a sério que não tem espaço para a brincadeira e para o divertimento.

Sempre trabalhei muito e muito dedicada. Sempre corri muito para conseguir fazer tudo: desporto, trabalhar, compras, tratar da casa, dos amigos, da família. Sempre tentei que as 24 horas do dia esticassem ao máximo sob pena de descansar pouco. E agora a vida obrigou-me a parar. Pior (ou o melhor de tudo) a vida obrigou-me a ser feliz e a divertir.

Isto foi uma das muitas coisas que tive alguma dificuldade em digerir. Ao longo deste tempo de baixa não consegui evitar o sentimento de culpa por não estar activa quando devia estar focada em pôr-me boa.

Porque será que isto acontece?

Não posso dizer que tenha sido da educação que tive nem tão pouco dos exemplos que tenho em casa. Ou talvez sim. Porque afinal de contas vivemos todos na mesma sociedade e talvez seja aí que reside a questão. Se não andares a correr, super atarefada e cheia de objectivos doidos na tua carreira, se não fazes desporto e te alimentas bem, se não cuidas da casa dos filhos e das compras, tudo ao mesmo tempo e de sorriso na boca, andas a brincar.

Nunca houve alguém que me tivesse dito isto e de alguma forma está tatuado em mim. Estava – nada como uma doença para nos trocar as voltas.

A juntar à vida louca que levava somo uma doença e sigo na mesma? Mas afinal o que é que estava errado até aqui? Podemos começar pela culpa. Se estiver parada sinto-me culpada. Se não estiver a produzir sinto-me culpada. Se tirar tempo para mim, sinto-me culpada. Se me estou a divertir sinto-me culpada.

Quando volto a ler o parágrafo aqui em cima o que leio é isto: tu não importas, tu não importas, tu não importas. E por isso tanta culpa. É que mesmo doente não consegui deixar de sentir alguma culpa. Oh que caraças.

Hoje compreendo que as coisas devem ser levadas a sério, sim senhor, mas que o tempo e espaço para o divertimento, para se estar com as nossas pessoas, para rir, para comer, para simplesmente não fazer nada, é essencial e deveria ser obrigatório. Quem não faz é multado, qualquer coisa assim.

É que tudo isto é = a felicidade e quando estamos felizes estamos saudáveis. A minha amiga EM ensinou-me isso. Com exemplos práticos. No outro dia saí com o meu gajo para um tour gastronómico pela cidade, a pé, onde fomos parando aqui e ali a petiscar e a beber vinho. Cometi excessos na comida, na bebida e andei várias horas a pé. Seria de esperar chegar a casa de rastos e com o corpo a dar sinais, mas não. Cheguei a casa sim cansada mas sinais nem vê-los. Por outro lado basta abusar de tarefas com horas contadas para ficar um pouco mais stressada e começar a ter alguns dos sintomas de que estou a melhorar: desiquilíbrio e dormência na boca e nas mãos.

O que me faz pensar. Somos seres perfeitos e o nosso corpo fala muitas vezes connosco. Estou quase certa de que o meu, não tendo sido escutado como deveria, precisou de gritar e deu nisto.

Olhando para trás percebo: eu não me divertia. Em algum momento da minha vida acreditei que viver era sinónimo de luta, preocupações, trabalho, esforço, de correria. Só assim estava a cumprir todos os objectivos de viver.

Quando afinal de contas até é simples. Fazer tudo isso, ok, com conta peso e medida para que o divertimento ocupe a maior parte da nossa vida. Para sermos felizes.

Porque a verdade é esta: a felicidade dá-nos saúde.

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