Psiquiatria = Vergonha?

Depois do choque inicial, da tristeza que é normal, do medo e das dúvidas seria de esperar uma altura tranquila e normalizada, mas o desafio continuou. É que a medicação que me deram para a EM, embora não tenha sido para mim um grande drama, dá-nos o que fazer.

Interferão é o nome pelo qual é tratado entre médicos e pacientes e é um injectável. Até aqui tudo ok, a malta habitua-se a uma pica de 15 em 15 dias a bem da saúde. Mas para começar a coisa não é assim tão simples.

Este interferão é tramado e segundo as palavras do médico é um tanto ao quanto depressivo. Não está claro – provado – que seja da medicação ou se os pacientes já teriam tendências depressivas ou até mesmo se não é só um estado normal a alguém que acabou de saber que tem Esclerose Múltipla. Mas acontece.

E aconteceu-me.

E como não há que ter vergonha de nada disto, pedi ajuda. Fui aconselhada a tomar um anti-depressivo e a fazer um acompanhamento no psiquiatra. E assim fiz. E tudo ok. Ao fim de 2 ou 3 semanas já me sentia melhor.

Esta semana fui à consulta de acompanhamento psiquiátrico e saí de lá com as boas notícias de que a medicação para a EM não é sinónimo de que vou ter de tomar anti-depressivo para a vida – se bem que também não seria problema se assim fosse – nem tão pouco que vou, volta e meia, andar deprimida, quer somente dizer que há uma altura em que o corpo precisa de se habituar a este medicamento assim tanto como a nossa cabeça precisa de se habituar à notícia da doença.

Leva tempo mas tudo acaba por encontrar um equilíbrio.

Infelizmente não é assim com todas as pessoas (sou uma sortuda). Sei de quem não se deu bem com a medicação, o que é lixado. Sei também que há quem fique tão deprimido que às tantas a depressão é a doença a ter em conta e não a EM. É uma merda.

Mas sei também que há um vasto leque de ajuda e que é possível dar-se a volta. E toda a ajuda deve ser agarrada com unhas e dentes sem qualquer sentimento de vergonha. Os psiquiatras podem ajudar com medicação, os psicólogos podem ajudar com terapia, a família e os amigos com muito amor. E no fim, tudo passa.

O importante é não baixar os braços e dar luta a estes desafios. E pedir ajuda, sempre que seja possível e aceitá-la de braços abertos quando chega.

Mau é não sermos plenamente felizes com o que temos e não agarrarmos todas as oportunidades para que a nossa vida seja melhor e feliz.

Vergonha de quê? De ser humana?

 

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