A EM ensinou-me a amar-me de verdade

Quando a conheci e fomos apresentadas chorei de tristeza. Não a queria como minha amiga, como parte da minha vida. Chorei a pensar o que iria ser agora a vida tal como a conhecia com ela sempre comigo e com o seu feitio imprevisível. Fiquei de rastos. E nem queria saber muito sobre ela. Como se ela não estivesse aqui.

Mas mais tarde compreendi que a sua presença seria inevitável e que mais valia termos uma relação de proximidade. Aprendi tudo – ou quase tudo – sobre ela. Do que ela gosta, do que ela não gosta, o que a faz feliz e o que pode irritá-la.

O curioso foi que nessa aprendizagem ela ensinou-me sobre mim. Mostrou-me que eu tinha vivido uma vida até aqui sem um verdadeiro amor por mim. Sim, gostava de mim, cuidava-me, tinha sonhos e projectos, zangas, preocupações mas na verdade conhecia-me pouco, preocupava-me pouco e nem sabia bem o que significava amar-me.

É estranho que tudo isto aconteça agora com ela comigo mas aconteceu.

Aceitar que ela faz parte da minha vida fez com que fosse necessário aceitar-me num todo. A dada altura ela perguntou-me: o que é que te separa da verdadeira felicidade e contentamento? Podia ter ignorado mas não se quer aborrecer esta amiga. Queremo-la tranquila e feliz. E assim fiz.

Durante algum tempo usei-me dos meus períodos de meditação diária para olhar mais profundamente para dentro de mim e perceber o que é que me impedia naquele exacto momento de ser feliz. E sabem que mais? Nada. Não havia nada, só eu e a minha cabeça. E claro, a falta de amor.

Conforme me vou conhecendo melhor, olhando para mim e até ignorando a minha cabeça (leia-se pensamentos parvos), encontro um lugar onde eu sozinha sou feliz, estou em paz e onde o verdadeiro amor começa a ganhar lugar. E não importa o que se está a passar na novela da vida. Com maus ou bons episódios eu sinto-me feliz em mim e isso vale tudo no mundo.

De tal maneira que esta minha amiga, que faz parte da minha vida, tem um lugar que é só dela, uma importância que é só dela e eu vivo de bem com isso. O que me levou a outro ponto, percebi que esta minha amiga adora o amor e a paz e a alegria. E quando a sua vida está cheia disso ela fica muito mais tranquila.

Já começamos a ter um verdadeiro laço de amizade e entendimento. E isso deixa-me feliz. Suponho que a ela também.

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