Onde tudo acabou para começar de novo

Quando somos diagnosticados com uma doença crónica, degenerativa do sistema nervoso central acho que é mais ou menos isto que pensamos: diz adeus a ti mesma tal como te conheces.

E durante algum tempo foi assim que senti. Que a pessoa que no dia 20 de Junho de 2016 deu entrada no hospital nunca mais de lá saiu. Tinha saudades de mim.

Dizem-nos que podemos ter uma vida o mais normal possível mas… terá de ter uma vida tranquila, terá de comer bem e descansar muito. Terá de evitar o stress e estados de ansiedade. E terá com todas as suas forças de ser feliz.

Vistas bem as coisas não nos pedem nada do outro mundo nem tão pouco nada doloroso. Bom, a medicação não é fantástica. No meu caso são injecções. Mas são dolorosas? Não. Têm efeitos secundários tramados? Nada que não se tolere. Então o que é que realmente custa nesta mudança?

Custa lidar com possibilidades. Mais surtos, a doença pode evoluir. Um surto maior pode levar-nos a uma cadeira de rodas. A possibilidade de dependência.

É verdade, tudo isto pode acontecer. Mas como diz o meu gajo, também é possível ir à rua às compras e ser atropelada. Posso sair para almoçar e ter um acidente de carro. Isso faz com fiquemos fechados em casa? Então eu decidi que com todas as atenções que terei de ter comigo, vou sair de casa e vou viver.

Será diferente? Será. Mas ninguém me disse que não pode ser incrível. E foi essa a pessoa que teve alta uma semana depois. Foi essa a pessoa que saiu a porta do hospital.

Eu só levei tempo a reconhecê-la.

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